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repertório dos paradigmas de som

Localização, deslocalização e ubiquidade

Capacidade/incapacidade de determinar a localização de uma fonte sonora.

categorias: elementar, mnemoperceptiva, semântica

Englobo num único paradigma, respeitante ao princípio geral da localização, um conjunto de efeitos que Augoyard apresenta em fichas separadas.

Localização

Regra geral, o ouvido humano consegue calcular com bastante exactidão a localização de uma fonte sonora, mesmo sem a ajuda da visão. Isto envolve o cálculo da distância a que se situa a fonte e a sua direcção, e é especialmente efectivo quando se trata de sons que conhecemos previamente.1

Deslocalização

No caso da deslocalização, o receptor situa a origem do som num lugar que não lhe corresponde. É o que sucede por exemplo quando existem muros ou outras grandes superfícies reflectoras que confundem a percepção; ou no mar, quando o nevoeiro denso difracta o curso dos sons, tornando impossível calcular a sua origem e direcção.

Em certos casos, a deslocalização não resulta das condições físicas de transmissão e propagação, mas sim de confusão perceptiva ou de uma intenção semântica.2

Ubiquidade

Sensação de o som provir de todas as direcções ao mesmo tempo e de nenhuma em particular. Esta sensação pode resultar de variadas causas: espaço muito reverberante, onde o som directo da fonte se confunde com uma miríade de réplicas vindas de todas as direcções; edifícios concebidos de forma a provocar a sensação de ubiquidade, como sucedia em muitos templos da Antiguidade Clássica; etc. Exemplos comuns de sons tendencialmente ubíquos, devido à sua própria natureza, são o canto das cigarras, o som do mar e dos riachos, etc.

Certos textos literários comparam o rumor das cidades ao do mar. O tapete sonoro urbano, constituído por trânsito, aparelhos industriais, etc., é naturalmente ubíquo: chega-nos de toda a parte, sem referência topográfica precisa. O drône citadino é em geral elidido da consciência: vivemos mergulhados nele, mas não o indagamos (quanto à sua origem) nem o pomos em causa (quanto à sua presença e necessidade). Esta característica particular leva Augoyard a afirmar que para considerarmos um som ubíquo, ele deve interpelar-nos, levar-nos a colocar interrogações (o que é?, donde vem?, …). Consideramos este debate extremamente importante e profícuo, dadas as suas implicações sociais, culturais e políticas, e deixamo-lo em aberto.

Psicologia e fisiologia da percepção

Regra geral a audição e a visão colaboram estreitamente, o que não nos ajuda a discernir empiricamente o grau das capacidades auditivas de localização. Daí que os inquéritos às pessoas cegas seja importantes para o estudo desta questão. Contudo, qualquer pessoa, cega ou não, que viva numa região urbana sabe quão importante é a audição e a capacidade de localização para a sobrevivência em zonas de trânsito automóvel intenso. Uma análise atenta da experiência pessoal não deixará de notar que a audição apresenta uma característica semelhante à visão: tem especial acuidade para o movimento.

Vários vectores entram em jogo de forma conjugada para a localização dos sons:

  • Diferenças de fase e atraso/antecipação — O ouvido humano tem a capacidade de detectar subtis diferenças de fase nas ondas sonoras, o que permite, entre outras coisas, calcular a direcção do som. Também tem a capacidade de distinguir dois ou mais sons iguais mas desfazados de centésimos de segundo, o que permite intuitivamente distinguir o som original (a fonte) das suas réplicas provocadas por reverberação.
  • Diferenças de intensidade — A capacidade de detectar pequenas diferenças de intensidade sonora ajuda a localizar os sons. Esta capacidade actua em conjunto com a mobilidade da cabeça: como os dois pavilhões auditivos estão dispostos de forma aproximadamente oposta e a caixa craniana actua como uma divisória isoladora entre os dois ouvidos, ao girarmos a cabeça as progressivas variações de fase e de intensidade ajudam localizar a fonte sonora.
  • Efeito Doppler — A capacidade de distinguir as variações de frequência e intensidade que ocorrem quando uma fonte sonora se encontrar em movimento ajuda a localizar a fonte sonora.

Contudo, vários factores podem jogar a favor da indeterminação da localização:

  • Reverberação densa — Quando a reverberação de um espaço é abundante, o som tende a parecer ubíquo: torna-se mais difícil identificar a direcção principal do som quando as suas réplicas soam com intensidade semelhante e os efeitos de fase são múltiplos e contraditórios entre si.
  • Azimute — O ouvido humano responde bem a diferenças sonoras subtis provenientes do mesmo plano em que estão situados os dois ouvidos, mas tende a confundir a proveniência do som quando ele se situa acima do plano do crânio. Entra aqui em jogo também a distância a que se encontra o chão ou outra grande superfície reflectora interposta entre o chão e os ouvidos, como seja uma bancada de trabalho. Este factor é particularmente importante em diversos sectores de actividade, tendo levado ao estabelecimento de regras e protocolos destinados a prevenir potenciais acidentes de trabalho.
  • Concorrência sonora — Num ambiente onde exista profusão de estímulos sonoros (numa algazarra de muitas vozes, por exemplo), torna-se mais difícil identificar a origem de cada som.
  • Abundância de graves e escassez de agudos — Os sons agudos são os que melhor permitem distinguir a localização da fonte sonora; os sons graves são potencialmente mais ubíquos.

Em suma, um ouvido bem treinado consegue distinguir a direcção, a distância e a qualidade de grande parte dos sons. O indivíduo privado de visão consegue não só detectar o volume de uma sala, a composição aproximada dos seus materiais (paredes, tapetes ou soalho, mobiliário, etc.) e outras características do espaço, mas também a origem e direcção do som. Alguns estudos de campo apontam no sentido de o tempo de resolução das pessoas cegas, desde que treinadas e na posse plena das suas capacidades auditivas, ser em muitas situações bastante menor do que o das pessoas normais (exceptuando os casos em que exista concorrência sonora pronunciada). [3]

O efeito dos sons ubíquos varia muito, consoante a sua natureza, o seu contexto e as idiossincrasias do ouvinte. Algumas pessoas acham o som do mar, dos grilos, dos riachos, calmante ou até mesmo indutor de sentimentos místicos; outras, pelo contrário, sentem-se enervadas por se verem constantemente imersas num rumor sem origem nem propósito determinados. Nos casos extremos, certos sons ubíquos podem acordar taras adormecidas ou traumas esquecidos (por exemplo, a sensação de que aquele som provém de alguém, situado em parte incerta, que pretende controlar o ouvinte) – nestes casos o rumor, ao invés de ser calmante, místico ou etéreo, adquire um carácter agressivo e pode suscitar reacções motoras de fuga, irritação ou perda de autocontrole.

Sociologia e cultura quotidiana

Vários estudos antropológicos mostram a audição como um sentido privilegiado na cognição e localização das coisas em certas culturas:

Os Umeda, como muitos outros povos de Papua Nova Guiné, habitam um ambiente de floresta densa e virtualmente intocada, no qual as coisas são visíveis apenas num curto alcance; normalmente poucas dezenas de metros. Tal ambiente, argumenta Gell, “impõe uma reorganização da sensibilidade”, dando o lugar de honra à audição, junto ao olfato (Gell 1995: 235). Assim, ao sair para caçar, os Umeda caminham com os olhos no chão, ouvindo a caça em vez de buscá-la com os olhos, já que é por seus sons que os animais anunciam sua existência e presença no mundo do caçador. Este não é um mundo de objetos visuais e espaciais pré-constituídos, mas, em  vez disso, é apreendido dinamicamente. […]

— Tim Ingold, «Pare, Olhe, Escute! Visão, Audição e Movimento Humano», @ Ponto Urbe, 3, §22, 2008 (revista do núcleo de antropologia urbana da USP, Brasil) [Creative Commons Attribution 4.0 International License] (consultado em 27/10/2021)

 

[…] o mundo dos Inuit é definido, acima de tudo, pelo som em vez da vista (Carpenter 1973: 33). […] Não existem coisas, estritamente falando, no mundo Inuit; apenas seres que estabelecem sua presença, antes de tudo, por meio de suas ações contínuas. A audição é o par ressonante dessas ações com o movimento da atenção do ouvinte. Assim, os Inuit ouvem som em vez de coisas e são movidos pelo som, ele mesmo, […] Diferentemente do espaço pictórico restrito e investigado pelo olho, o espaço acústico é “dinâmico, sempre em fluxo, criando suas próprias dimensões momento a momento” (1973: 35; ver também Carpenter e McLuhan 1960). […]

— Tim Ingold, «Pare, Olhe, Escute! Visão, Audição e Movimento Humano», @ Ponto Urbe, 3, §18, 2008 (revista do núcleo de antropologia urbana da USP, Brasil) [Creative Commons Attribution 4.0 International License] (consultado em 27/10/2021)

A ubiquidade como expressão do poder

Em ocasiões festivas, é corrente nas últimas décadas as autoridades locais instalarem uma densa rede altifalantes pouco visíveis, criando um autêntico banho acusmático sem proveniência física evidente.

Na verdade, a ubiquidade está ligada desde a Antiguidade ao exercício do poder. Disso são exemplo os templos cuja construção incluía tubagens embutidas nas paredes, de forma que a voz do pregador, falando para um bocal dessa rede de tubos, enchia todo o templo e assumia a aparência de uma voz ubíqua e sobre-humana. De facto, quando a voz dos poderosos soa de forma ubíqua, tem uma força esmagadora: está em toda a parte, mas não pode ser localizada, apontada a dedo, tocada, e gera um sentimento de impotência nos dominados. Inversamente, todo o poder aspira a ser constantemente ouvido – e a tudo ouvir, ver e controlar, num regime panóptico e panótico –, mas de tal forma que não possa ser indagado e contestado. A impossibilidade de dar réplica directa à expressão ubíqua do poder instituído tende a gerar frustração; e esta por sua vez, quando perdura longamente, tende a criar traumas e disfunções emocionais e cognitivas.

Os paradigmas máximos do poder ubíquo são: Deus, o Estado e a Natureza – ainda que o segundo possa ser ausente nas culturas não hierarquizadas.

Expressões mediáticas

Aspectos formais da localização nas artes sonoras

A simulação da deslocalização, colocando o som de uma voz ou de um objecto fora do seu contexto natural, é usada ocasionalmente no cinema, sobretudo nas obras mais experimentalistas. No limite, porém, talvez possamos considerar que todos os sons não diegéticos de um filme ou de uma peça de teatro constituem deslocalizações, visto que o ouvinte é chamado a colocar o som em parte incerta – mas em todo o caso fora do espaço cénico –, ao mesmo tempo que é convidado a integrá-lo na construção de sentido narrativo. Exemplo de som não diegético, proveniente de um lugar alheio ao espaço e ao tempo da narrativa: a música sobreposta à banda sonora de um filme ou a uma cena teatral. No entanto, se a música provier de um rádio colocado em cena, a sua localização é óbvia e a música torna-se diegética, isto é, faz parte intrínseca da narrativa, não restando qualquer equívoco quanto à sua origem, localização e significado em contexto – ao passo que a música não diegética se presta geralmente às mais variadas interpretações.

Expressões ubíquas de poder

Muitas vezes as instituições, privadas ou públicas, recorrem à instalação de malhas de altifalantes, ou seja, uma multiplicidade de altifalantes ligados entre si, todos a transmitirem a mesma emissão de forma sincronizada. Esta técnica cria uma sensação de ubiquidade, parcialmente desfeita se os altifalantes serem visíveis. Nalgumas instalações, porém, os altifalantes são embutidos nas paredes e mascarados, e então o efeito de ubiquidade é pleno. Ora, como já referi, a ubiquidade tende a ser um atributo do poder (poderíamos mesmo falar da dupla existência de um panóptico e de um panótico). 5

Regra geral, o som ubíquo, quando intencionalmente usado como expressão do poder, vem associado a uma acentuada intensidade sonora. É o caso das redes de altifalantes montadas pelas câmaras municipais durante as festividades e comemorações locais, geralmente ajustadas para volumes de som tão fortes, que impossibilitam a comunicação interpessoal.4 A potência sonora do poder uniformiza toda a comunicação e impossibilita as formas de expressão individual e artística (músicos de rua, farsas de rua, etc.). O efeito destas instalações sonoras oficiais, para ser plenamente entendido, deveria ser estudado através de experiências e inquéritos de campo; no entanto, mesmo sem dispormos deles, não é difícil observarmos empiricamente o seu efeito óbvio de sufoco da iniciativa e da criatividade individuais, especialmente quando guardamos a memória das práticas sociais anteriores ao uso do som ubíquo instalado pelos poderes vigentes.

Se tentarmos imaginar o efeito de muitas pessoas a sussurrarem de forma indistinta (por exemplo, num velório) e o efeito de muitas pessoas a urrarem (por exemplo, uma brigada bélica), facilmente intuímos que a ubiquidade aliada à alta potência sonora tende a provocar um efeito paralisante, enquanto a ubiquidade aliada a baixa potência sonora, ainda que possa induzir uma espécie de sentimento místico, é mais acolhedora do que assustadora.

Um dos veículos privilegiados de transmissão ubíqua do discurso do poder são os chamados meios de comunicação de massas, mas a forma de garantir o seu funcionamento efectivo é variável: num regime autoritário, a comunicação de massas é controlada de forma directa e sem rebuços; contudo, com o correr do tempo esta forma de controlo rouba uma parte da magia ao mecanismo da ubiquidade, porque rapidamente se torna evidente a origem real da mensagem. Em contrapartida, num regime de democracia representativa, a coisa fia mais fino: o poder precisa de um intermediário aparentemente autónomo, que pareça capaz interpelar o poder, ao mesmo tempo que transmite a sua palavra. Uma análise atenta das mensagens transmitidas pelos meios de comunicação leva rapidamente a colocar algumas questões objectivas: que quota têm todos os actores sociais na transmissão da palavra?; que quotas de credibilidade são atribuídas pelo medium/intérprete respectivamente aos subjugados e ao poder? Esta indagação facilmente leva a concluir que, por regra, os meios de comunicação de massas são intérpretes privilegiados do discurso do poder (seja ele político, económico, académico, …).

Encontramos outro indício do papel dos mass media na transmissão ubíqua do discurso do poder, no facto de a população em geral, na sua linguagem quotidiana, se referir a ambos (os mass media e o poder) por meio da expressão «eles». Esta relação de forças só daria provas de ter sido revertida no dia em que a expressão «eles» fosse substituída por «nós» - nós dissemos, nós afirmamos, nós queremos, etc. O «eles» é por regra uma entidade mais ou menos abstracta e difusa, nem sempre fácil de localizar.

Na televisão, por exemplo, a profusão de comentadores e mesas redondas, colocando dezenas de vozes diariamente a comentar o discurso do poder, serve precisamente para tornar ubíquo o seu discurso – ainda que 10 comentadores postos em confronto directo possam discordar em milhentos pormenores, no essencial todos estão de acordo: trata-se de retransmitir (ainda que sob o disfarce do comentário) o discurso do poder, os assuntos do poder, o ponto de vista do poder, os anseios do poder, ficando esse discurso de tal forma disperso na miríade de vozes comentadoras, que adquire um carácter ubíquo – todos falam do mesmo, mas não é clara a origem dessa monomania.

As observações à margem que acabo de fazer sobre as formas de expressão dos poderes instituídos visam mostrar que todo o poder necessita de recorrer a exercícios de ubiquidade como de pão para a boca, sendo por isso natural que lance mão de variadas formas de som ubíquo.

Arquitectura e urbanismo

O ambiente urbano e os espaços arquitecturais favorecem o som ubíquo, graças à existência de vastas superfícies reflectoras. A progressiva ausência de sacadas, cornijas e varandas nos grandes edifícios subtraiu elementos arquitectónicos que favoreciam a absorção do som. O abate de árvores em favor de largas praças desnudadas, a utilização de estruturas e materiais que favorecem a transmissão sólida do som a grandes distâncias, tudo na cidade contemporânea promove a reverberação, o eco estacionário e a ubiquidade.

Nas salas de trabalho abertas (open space), apesar de serem usadas meias-divisórias absorventes, a multiplicidade de sons dos teclados, dos telefones, das vozes, do ar condicionado deslocalizam cada som e provocam uma sensação de ubiquidade.

Acústica e física

Em termos estritamente físicos, o efeito de ubiquidade não pode ser definido com precisão. Sabemos que certas características favorecem a deslocalização, mas não é possível apresentar uma fórmula única e definitiva que permita, através de relações de causa e efeito bem determinadas, construir um espaço acusticamente ubíquo. Vejamos então quais são os factores objectivos ligados à localização sonora:

  • Frequências — Os sons agudos são os que mais favorecem a capacidade auditiva humana de localizar os sons. Assim, por exemplo, se as estruturas urbanas e arquitectónicas de um lugar favorecerem a transmissão do metropolitano subterrâneo, é natural que no exterior dos túneis (nas ruas e nas casas) os sons agudos das carruagens desapareçam por completo, apenas se propagando os graves e subgraves, não dando lugar à localização aproximada das carruagens no subsolo; mais: muitos edifícios e outras estruturas irão actuar como caixas de ressonância, acrescentando ao som original mais ondas profundamente graves, dada a enorme dimensão dessas caixas.
  • Potência — Os extremos de potência, que vão desde o silêncio até aos sons ensurdecedores, favorecem a sensação de ubiquidade: o silêncio é ubíquo, por razões óbvias; e as intensidades sonoras muito elevadas tornam mais difícil a localização, em especial quando o seu efeito fisiológico se aproxima do limiar da dor – as pessoas ficam «de cabeça perdida», «à toa» ou «inebriados de som», expressões que em grande parte tentam transmitir a impossibilidade de localizar o som agressor e reagir em conformidade.
  • Meio de propagação — O ar é menos propagador do som do que a água e esta menos propagadora do que a maioria dos sólidos. Nos líquidos e nos sólidos o som propaga-se mais longe (=menor perda de potência) e mais rápido do que no ar, donde resulta maior dificuldade em perceber se as fontes sonoras estão próximas ou longínquas e maior concorrência de sons (o que, como já vimos, favorece a deslocalização).
  • Obstáculos à propagação sonora — Os obstáculos favorecem a deslocalização, seja por se interporem entre nós e a fonte sonora, seja por gerarem inúmeras reflexões do som original. É fácil fazer a experiência: se entre nós e uma flauta, em campo aberto, não houver obstáculos, é fácil, de olhos fechados, ir girando a cabeça até determinar a direcção donde provém o som; se, pelo contrário, entre nós e a flauta houver uma divisória, provavelmente não conseguiremos decidir se o som vem da direita ou da esquerda. Outro tipo de obstáculos – paredes circundantes, mobiliário reflector, etc. – irão provocar uma profusão de réplicas que baralham completamente o nosso sentido auditivo de orientação.

 

Rui Viana Pereira, 2021 ► última revisão: 13-07-2023
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